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SXSW 2019: O futuro está pronto... mas e as pessoas?

Assim que eu entrei no avião pra ir embora de Austin eu soube: eu vou voltar no ano que vem. Foi meu primeiro SXSW, e foi transformador, não pela mala cheia de conteúdo bacana, mas principalmente por estar frente a frente dos agentes dessa grande transformação interacionista que vivemos.

Bom, pra começar se você não sabe do que se trata o SXSW, esse é um bom momento para imergir no maior festival de inovação do mundo.

O South by SouthWest ou SXSW é um festival que acontece todos os anos durante a primavera em Austin, no Texas, desde 1987. O festival é dividido em 3 grandes pilares: Música, Cinema e Tecnologia. Plataformas como Twitter e Foursquare, e artistas como, John Mayer, James Blunt, Franz Ferdinand, The Strokes, The White Stripes foram lançados ao mercado durante o festival.

O SXSW é uma experiência individual. Encontramos amigos o tempo todo, e cada um faz a sua programação, de acordo com seus interesses pessoais e profissionais. O festival tem significados muito diferentes pra cada um, e por isso, os momentos mais ricos se dão mais ao fim do dia, nos bares ou ativações, onde é possível a troca de conteúdos – em vários momentos nos dividimos para estarmos em mais locais ao mesmo tempo e depois trocarmos impressões. Assim, o que vou listar aqui foram as coisas mais significativas pra mim – não necessariamente as mais importantes do festival como um todo.

Economia da Atenção e a era da fragmentação tecnológica

A busca por audiência na economia da atenção, que fez proliferar os formatos de conteúdo em listas, não é tão facilmente mensurável como se imaginava, porque nem tudo o que as ferramentas de analytics apontam como real tem provado ser. Como resultado, grupos de mídia e agências de publicidade vão expandir o olhar sobre os insights e criarão novos formatos de medição de resultados. Nos próximos anos, deveremos ver um maior número de publishers criando modelos proprietários que tragam mais transparência para os dados de audiência apresentados.

A privacidade acabou?

A privacidade, no sentido literal, já não existe mais. Foi o que Amy Webb, fundadora do Future Today Institute, e uma das mais aguardadas palestrantes do SXSW 2019 cravou. “É ilusório pensar que nossos dados estão de alguma forma protegidos, uma vez que os fornecemos para uma série de empresas em troca de conveniência. Imaginem que, no futuro próximo, no qual essa coleta de dados será ampliada com interfaces de reconhecimento e biometria, esse controle não será mais nosso. A privacidade está morta”.

Por outro lado, assisti a palestra de lançamento da Solid, uma plataforma descentralizada criada por Tim Berners-Lee, que indica um mundo onde os usuários terão novas opções sobre como eles armazenam e compartilham dados e os aplicativos que eles usam, tudo isso, numa espécie de portfólio com dados civis, de compra, de interesses, de histórico, e os dispositivos dos publishers, vendedores, marketeiros, etc. vão apenas acessá-lo sob demanda e deixá-los intactos.

Diversidade é autenticidade

Um dos principais focos do SXSW este ano foi, mais uma vez, as abordagens que as marcas precisam considerar a diversidade, produzindo cada vez mais mensagens inclusivas.

Não é mais suficiente concordar quando surgirem debates sobre diversidade. É uma mudança interna de cultura. Como explicou a diretora executiva da Austin Justice Coalition, Chas More, trata-se de trazer um mix melhor de pessoas à mesa de tomada de decisões: “Se você tiver diversidade real, o risco de ofender comunidades e culturas inteiras diminui bastante. "

As marcas também precisam estar ativas em seu controle de qualidade. A fundadora da Cultivated Insights, Tanya Tarr, deu algumas orientações simples para evitar a apropriação cultural. Antes de sair pela porta, as perguntas devem ser: “Isso é sagrado? Isso causa danos? Eu fiz o trabalho para saber o suficiente? Posso contar a história?

Conclusão:

Este foi meu primeiro #SXSW, e há tempos sonhava com a chance de viver essa experiência.

Apesar de pra muitos o South by Southwest ser todo sobre filmes, tendências, música, tecnologia, o meu, foi sobre...

  • Conhecer gente com interesses e histórias diferentes do mundo todo;
  • Olhar ao redor e ver que a heterogeneidade torna tudo mais forte;
  • Reavaliar minha importância e ter melhor compreensão do meu papel como agente transformador;
  • Ver que somos responsáveis por manter esse ecossistema cada vez mais inclusivo;
  • Ser flexível com a influência de outros na minha programação e ser surpreendido com aquele insight que faltava para destravar aquela ideia;

Meu último destaque fica para o painel apresentado por Christopher Soukup, fotógrafo e CEO da CSD. Chris, que nasceu com deficiência auditiva, e falou sobre como ao modificar o DNA e a experiência humana, podemos estar criando um mundo de iguais.

Que seja apenas mais uma previsão, afinal, tudo é sobre diversidade.

2020, tem mais!

SXSW 2019: O futuro está pronto... mas e as pessoas?
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